A Relação entre a Intervenção com Toxina Botulínica e os Músculos-Alvo em Crianças com Paralisia Cerebral Espástica: Um Estudo de Coorte Retrospetivo
DOI:
https://doi.org/10.25759/spmfr.538Palavras-chave:
Paralisia Cerebral, Espasticidade, Toxina Botulínica, Músculos-alvoResumo
Introdução: A Paralisia Cerebral (PC) é uma condição neurológica não progressiva frequentemente associada à espasticidade, que pode comprometer, entre outros, o desenvolvimento motor da criança. A quimiodesnervação com toxina botulínica tipo A (TBA) é uma terapêutica eficaz na gestão da espasticidade em crianças com PC. O presente estudo teve como objetivo caracterizar a população pediátrica com PC espástica submetida a TBA numa Unidade Local de Saúde em Portugal, identificando os músculos-alvo tratados e as alterações secundárias associadas à PC espástica mais prevalentes no contexto da intervenção com TBA.
Métodos: Foi conduzido um estudo de coorte retrospetivo envolvendo crianças com PC espástica acompanhadas na consulta de Reabilitação Pediátrica de Medicina Física e de Reabilitação numa Unidade Local de Saúde, entre 2015 e 2024. Foram incluídas crianças com PC espástica, unilateral ou bilateral (afetando 2–4 membros), com idades entre 5 e 18 anos, submetidas à intervenção com TBA nos membros superiores e/ou inferiores.
Resultados: Dos 87 casos identificados com PC, 22 crianças cumpriram os critérios de inclusão. Os grupos musculares mais frequentemente tratados com TBA foram os dos membros inferiores (gastrocnemius, soleus, tibialis posterior e semitendinosus/semimembranosus) (n=16, 72,7%), visando principalmente a melhoria da marcha. Em crianças com GMFCS IV e V, a intervenção concentrou-se no controlo da dor, prevenção de luxações/deformidades musculo-esqueléticas e facilitação dos cuidados de higiene.
Conclusão: A quimiodesnervação com TBA em crianças com PC espástica mostra um padrão de utilização dependente do nível funcional: tratamento dos membros inferiores em crianças que deambulam, foco no controlo da dor e prevenção de complicações em crianças com mobilidade mais limitada, refletindo a adaptação da intervenção às necessidades clínicas individuais.
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