Relação entre Comorbilidades e Nível de Atividade (Nível-K) em Doentes com Amputação dos Membros Inferiores

Auteurs

  • Sara Dias Freixo Serviço de MFR, Hospital de Braga. Unidade Local de Saúde de Braga. Braga, Portugal https://orcid.org/0000-0003-4490-344X
  • Natalia Ramos Serviço de MFR, Centro de Medicina Física e de Reabilitação de Alcoitão. Portugal
  • Manuela Mira Coelho Serviço de MFR, Hospital de Braga. Braga, Portugal
  • António Neto Serviço de MFR, Centro de Medicina Física e de Reabilitação de Alcoitão. Portugal
  • Daniano Caires Serviço de MFR, Hospital Central do Funchal. Portugal https://orcid.org/0000-0002-6886-3182
  • Patrícia Pereira Serviço de MFR, Hospital de Braga. Braga, Portugal

DOI :

https://doi.org/10.25759/spmfr.530

Résumé

As amputações do membro inferior são uma condição frequente, associada a limitação funcional e com impacto significativo na qualidade de vida. A decisão de protetização ou não protetização destes doentes é complexa, exigindo uma avaliação especializada. Atualmente, não existem critérios universalmente aceites e validados para orientar a decisão de protetização, o que torna este processo frequentemente complexo e desafiante. O sistema de classificação funcional dos níveis de atividade (nível K) é uma das ferramentas habitualmente utilizadas para apoiar esta decisão, embora não tenha em consideração outros fatores relevantes, como as comorbilidades associadas. O objetivo deste estudo foi determinar se existe relação entre as comorbilidades dos doentes com amputação do membro inferior e o nível de atividade (nível K) atribuído por um médico fisiatra especialista em reabilitação de amputados.

Métodos: Estudo retrospectivo observacional incluindo 116 doentes admitidos em primeira consulta de reabilitação de amputados entre janeiro de 2022 a dezembro de 2023.

Resultados: Encontraram-se relações estatisticamente significativas (p<0,05) e com associação forte (V de Cramer ≥ 0.50) entre o nível K e o acidente vascular cerebral (AVC) e doença arterial periférica (DAP). Na análise de subgrupos verificou-se uma associação forte entre o nível K e a DAP e diabetes mellitus (DM), ambas mais prevalentes nos níveis K mais baixos (K0 e K1). Patologias como o enfarte agudo do miocárdio (EAM), DM, doença renal crónica (DRC), HTA e dislipidemia (DL) também apresentaram uma associação estatisticamente significativa (p<0,05) apesar de moderadas. Por outro lado, a doença pulmonar crónica (DPOC), insuficiência cardíaca (IC) e o tabagismo não apresentaram associação com o nível K atribuído.

Conclusão: Doentes com níveis K mais baixos (K0 e K1) apresentam um número significativamente maior de comorbilidades quando comparados com doentes em níveis K mais altos (K2 e K3). As comorbilidades AVC, DM e DAP associam-se a níveis K mais baixos.

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Publiée

2026-05-31

Comment citer

1.
Freixo SD, Ramos N, Mira Coelho M, Neto A, Caires D, Pereira P. Relação entre Comorbilidades e Nível de Atividade (Nível-K) em Doentes com Amputação dos Membros Inferiores. SPMFR [Internet]. 31 mai 2026 [cité 1 juin 2026];38(1):8-16. Disponible sur: https://www.spmfrjournal.org/index.php/spmfr/article/view/530

Numéro

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Artigo original